Crônica: O Assassino que virou herói

Os detalhes de um bang-bang dos tempos modernos.

Esse texto não é habitual aqui no FPH, porém é um assunto no qual temos que debater, ler e tentar de alguma forma mudar o cenário atual de violência.

O assassino que virou herói.

Não tinha medo o tal Francisco Erasmo Rodrigues de Lima, era o que o amigo, também morador de Rua Kevin Matheus Silva disse quando ele foi entrevistado sobre a morte do “herói da Sé”.

“Antes de eu morrer, vou ficar para a história e ser herói aqui na Sé”. Foi o que disse Francisco ao amigo segundos antes de subir a escadaria da catedral.

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Deixou pra trás toda uma vida de crimes, de abandono de família, bebidas, drogas, incêndio criminoso e até homicídio, (sim, ele já havia assassinado uma pessoa) para se aventurar e salvar uma mulher, outra moradora de rua, Kátia Lúcia Bezerra dos Santos, 36, conhecida como pai de santo porque frequentava um centro de umbanda e vivia nas ruas havia oito anos.

Francisco queria uma vida melhor e não a vida Franciscana imposta pela falta de educação e emprego, cor e seu histórico de maus feitos.

Dormia numa estátua em frente ao Pátio do Colégio, o monumento “Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo”, que apresenta uma figura feminina simbolizando a cidade, tendo em suas mãos um ramo de louros, uma foice e uma tocha.

Ironicamente: A Cidade (figura feminina), Foice, Tocha e Louros.

E então saltou para salvar a figura feminina no marco zero da cidade, a foice – marca da morte – representou o assassinato que cometerá no passado, a tocha, o incêndio criminoso para tentar esconder os artigos roubados que havia receptado e os louros a distinção concedida a um general vitorioso que entrava na Antiga Roma em triunfo apoteótico ou um ato heroico.

Ato esse que, ao sentir os dois tiros e ajoelhar-se na porta da Igreja, teve a certeza de que ela se abriria e um sonoro “Te Perdôo” ecoaria lá de dentro.

E o povo declarava que Francisco de Lima era herói porque sabia morrer.

E o faroeste continua pra essa gente que só faz: Sofrer.

Texto: Max Duarte

Max Duarte

Max Duarte: Polivalência, eis a palavra que me traduz. Publicitário, músico, fotógrafo... Metido a entendedor de muitos assuntos. E que muda de opinião o tempo todo. AINDA BEM!